“As pessoas não percebem que a reforma antecipada pode tornar-se uma armadilha”
António Fonseca Professor da Universidade Católica descreve a meia-idade como um tempo de mudanças conscientes
Aproveitou o primeiro confinamento para pegar nas notas e materiais que acumulara e escrever sobre a meia-idade. O ensaio, editado pela Coisas de Ler, tem um cunho pessoal. Afinal, esta é a fase da vida em que se encontra. O especialista em Psicologia do Desenvolvimento, com enfoque no processo de envelhecimento, conta 57 anos. Sem dramas. “A meia-idade é uma oportunidade de libertação de modos de pensar, sentir e agir instalados em nós desde cedo e com os quais já não nos identificamos ou que se revelam insatisfatórios para lidar com as realidades da vida actual.”
Escreve que “há cem anos, ter 40 ou 45 anos era a porta de entrada na velhice. Hoje marca genericamente o início do que chamamos meia-idade, embora não seja possível afirmar com exactidão se já estamos, se ainda não estamos.” Não há uma baliza temporal para a meia-idade?
Não. Na adolescência podemos fazer isso. Há uma baliza determinada. Na meia-idade, as mulheres podem usar a menopausa. De resto, do ponto de vista biológico, pouco está determinado. A partir de certa altura o nosso corpo começa a perder capacidades, mas isso é muito diferente de pessoa para pessoa. Aos 50 anos, há até pessoas que estão a começar uma nova fase da vida, sobretudo homens, que podem ser pais de adolescentes ou jovens adultos de um casamento e pais de crianças pequenas de outro.
Há cada vez mais mulheres a ter o primeiro filho aos 40...
É verdade. Eu falo nisso. Aliás, pergunto se quando isso acontece fará sentido continuamos a falar na meia-idade para essas mulheres. De facto, é questionável. Até há uma geração a vida era previsível. Havia uma idade para crescer, uma idade para trabalhar, uma idade para ter e criar o filhos, uma idade para estar reformado. Conseguimos controlar melhor a biologia e isso também veio alterar o que era a idade social convencional.
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Público de 4 de abril de 2022.
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