Patrícia Oliveira-Silva: "A Arte lenta de aprender"
Para muitos, o nome Eric Kandel não será estranho. Na década de 1970, esse neurocientista austríaco-americano decidiu estudar a memória num pequeno molusco marinho chamado Aplysia. À primeira vista parece improvável, mas foi precisamente esse animal que o ajudou a perceber algo extraordinário sobre como o cérebro aprende. Sempre que o animal demonstrava ter aprendido algo novo, as ligações entre os seus neurónios fortaleciam-se como se o cérebro estivesse a redesenhar a sua própria estrutura. Foi uma verdadeira revolução na forma como passámos a entender o que significa aprender. A partir daí, e graças a muitas outras investigações que se seguiram, tornou-se evidente que aprender deixa uma marca física no sistema nervoso, o que significa que o processo de aprendizagem consegue esculpir, pouco a pouco, a arquitetura do cérebro.
A descoberta valeu a Eric Kandel o Prémio Nobel e ajudou a consolidar uma ideia que hoje é fundamental para a forma como entendemos o que significa aprender nas escolas, nas universidades e ao longo da vida. Aprender implica que o cérebro reorganize as suas ligações internas para compreender melhor o mundo. Não se trata apenas de guardar mais informação, como quem acrescenta mais um ficheiro a um arquivo. Cada vez que aprendemos algo novo, o cérebro muda subtilmente. Algumas ligações entre os neurónios são fortalecidas. Outras ligações são enfraquecidas. Surgem também novas vias de comunicação entre os neurónios que antes não existiam. São elas que permitem ao cérebro interpretar a experiência seguinte com mais rapidez e eficácia.
Artigo completo disponível no Expresso.
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