Luís Caeiro: "A outra face da crise"

A crise pandémica que vivemos foi uma experiência inédita e assustadora. A Europa viveu setenta e cinco anos de paz e progresso e, tirando os sobressaltos das crises petrolíferas e do subprime, construímos uma sociedade em que a segurança e o bem-estar pareciam garantidos. Inesperadamente, a natureza veio mostrar o seu poder, comprometendo o funcionamento da sociedade e até o que julgávamos serem conquistas irreversíveis da civilização. Tivemos cidades desertas, sistemas de saúde colapsados e a economia mundial em crise.

Só na Europa, registaram-se 56 milhões de contágios e 1,5 milhões de vítimas mortais. Em Portugal, uma em cada dez pessoas foi contagiada e ocorreram mais de 18 mil óbitos. Em 2020, o lay-off, o encerramento das atividades comerciais e o fecho das fronteiras, provocaram a queda do PIB nacional em 7,6% e da procura interna em 4,7%, a contração mais severa registada nas séries do INE.

Este cenário mostra por que razão as crises são vistas como destrutivas e perturbadoras. Mas as crises têm também outra face: obrigam a pôr em causa os paradigmas tradicionais e, por isso, geram novas oportunidades, abrindo caminhos para o futuro. As crises são também destruições criadoras e motores do desenvolvimento. Fazem surgir inovações que afastam os velhos modelos de negócio e abrem caminho a outros com mais sucesso. São ganhos do futuro conseguidos com o sacrifício do presente.

Com a pandemia, os produtores de desinfetantes e de máscaras, esgotaram os stocks. Enquanto os restaurantes encerravam, os take away e as entregas domésticas de bens de primeira necessidade, dispararam. Os meios de transporte trabalharam a ritmo reduzido e o comércio tradicional paralisou, mas o tráfego na internet e as vendas on-line atingiram níveis históricos.

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