José Miguel Sardica: "Israel: 75 anos"
«Israel» é uma palavra bem conhecida, mas problematicamente polissémica. A sua etimologia hebraica perde-se na noite dos tempos, como designação das tribos do “povo eleito” do Deus do Antigo Testamento. Os “israelenses” eram também judeus, porque habitavam o que antiguidade conhecia como Judeia. Liquidada a sua autonomia pelos romanos, a diáspora judaica errou pelo mundo, chorando o exílio forçado, no desejo de um “êxodo” de volta à Terra prometida. Durante 1900 anos, os judeus cimentaram uma nação de história, religião, sangue e pretendido destino comum, ainda mais porque a também longa história do antissemitismo - das lendas medievais sobre o judeu “outro”, pestífero ou usurário, ao ódio racial politizado do totalitarismo e do holocausto nazis - sempre ameaçou a sobrevivência daquele povo.
Foram, sobretudo, os «pogroms» europeus de finais do século XIX e as promessas britânicas durante a I Guerra Mundial, e já no quadro do mandato britânico sobre a Palestina, a partir de 1919, que aceleraram a migração em massa dos judeus para a (sua) Terra Santa. Reivindicavam “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Acontece que se o povo judeu, de facto, não tinha terra, a terra pretendida - a Palestina - tinha um, aliás vários povos: comunidades muçulmanas ali estabelecidas há séculos, judeus árabes que ali tinham sobrevivido, grupúsculos cristãos e outras etnias/cultos autóctones.
Artigo completo disponível na Renascença.
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