José Luís Ramos Pinheiro: "Nos extremos nunca está a virtude"

O populismo divide a sociedade em bons e maus, amigos e inimigos. Uns são pessoas de bem, os outros, simples reflexos do mal.

Sendo evidentemente primário, o discurso populista – venha ele da direita ou da esquerda - tem a vantagem de ser óbvio e previsível. Cada caso, cada intervenção, cada tomada de posição é uma oportunidade para exaltar multidões contra elites, sejam elas políticas, económicas, sociais ou outras. Porque as elites são todas metidas num saco único, o chamado sistema. E o sistema, como é bom de ver, é sempre corrupto e, por isso mesmo, inimigo dos interesses do país.

Extrema-direita e extrema-esquerda apresentam, em geral, o mesmo tipo de atuação, apenas com retoques de linguagem. Têm uma agenda bem definida e marcada. E a partir dela constroem uma narrativa circular à volta de cada tema. Exploram-no à exaustão. Lançam sucessivas iniciativas, ocupam o espaço público, insuflam as redes sociais. E algo que era minoritário transforma-se no que parece ser (mas quase nunca é) um clamor social de largo espectro.

Artigo completo disponível na Renascença.