José Azeredo Lopes: "Ninguém nos liga nada"
No mundo que se diz e proclama global, com uma circulação de informação instantânea, seria de esperar que, quando chegássemos aos assuntos mais importantes, houvesse uma relativa sintonia no peso noticioso que lhes fosse atribuído. Por exemplo, tomando um caso muito concreto, começava-se pelo futebol, seguia-se, em crescendo, a cultura, o 1.º de maio pelo País, uma ou outra notícia de política nacional e, depois, no internacional, a Ucrânia. Escusado será dizê-lo, não se trata de ser editor de coisa nenhuma, mas cada um comporá a primeira página do seu jornal pessoal como bem entender. Seria de crer que, na grande maioria dos casos, a guerra na Ucrânia ocupasse mais ou menos espaço nas primeiras páginas. Nuns casos mais, nuns casos menos. Só que não.
O que primeiro me chamou a atenção, para depois tentar indagar um pouco mais a fundo, foi um artigo recente do USA Today que, em concreto, se interrogava sobre a razão por que a grande maioria dos Estados não nos tinha acompanhado na decisão coletiva de aplicar contramedidas e embargos vários à Federação Russa devido àquilo que todos sabemos. Com efeito, andarão em torno de quarenta os Estados que tomaram essa decisão, ficando de fora, por isso, à volta de 150.
Naturalmente, isto diz-nos tudo, mas não diz quase nada. Para a Rússia, o peso do que decidiram estes tais 40 é muito relevante, e, como a Presidente da Comissão já declarou, a expectativa é a de que, mais tarde ou mais cedo, será inevitável a falência do Estado russo e, por conseguinte, a impossibilidade prática de este continuar o conflito. Admitamos que sim.
Porém, o tal artigo vai um pouco mais longe, procura saber porque é que, além disso, muitos povos e regiões olham com indiferença, se não mesmo com hostilidade, para aquilo que representamos e para aquilo que defendemos. E dá alguns dados curiosos, sobretudo sabendo-se que o USA Today não será dos órgãos de comunicação social mais “mundialistas”, para dizer o menos.
Artigo completo disponível na CNN.
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