João César das Neves: "O Chega é católico?"
“O Chega é católico?” Esta pergunta é, sem dúvida, estranha. De facto, não compete a um partido ter religião. São os seus dirigentes, membros e eleitores que tomam opções de fé, não os agrupamentos. Claro que, ao definir a sua ideologia, a associação se confronta com as implicações morais das várias linhas religiosas, implicando um diálogo e confronto. No entanto, por mais que algumas abordagens simplistas o tentem, isso nunca é suficiente para classificar o partido como confessional.
Aliás, a longa experiência histórica mostra que é preciso ter muito cuidado nas relações entre os poderes temporal e espiritual. Nos casos em que as autoridades civis e a estrutura confessional tiveram demasiada proximidade, amistosa ou hostil, isso prejudicou seriamente ambas as partes. A experiência portuguesa é nisso particularmente instrutiva, com longos períodos em que os governantes pretenderam, ou submeter taticamente ou perseguir ferozmente clérigos e fiéis. Podemos até dizer que, neste campo, a atual Terceira República constitui um dos melhores períodos de sempre, com a hierarquia da Igreja afastada de lides políticas e os responsáveis nacionais (em geral) respeitosos face aos crentes.
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