João Borges de Assunção: "Segredos da urna"
A Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis estabelece o processo de eleição do Papa. Este documento merece uma leitura atenta, pois transcende a sua natureza legislativa, constituindo um repositório da experiência milenar da Igreja na escolha do seu líder máximo. é evidente a preocupação em mitigar os problemas que historicamente assombraram as eleições papais ao longo de dois mil anos. A principal preocupação na organização do Conclave reside na proteção dos cardeais eleitores contra influências externas. O objetivo primordial é impedir que atuem como meros representantes de poderes seculares como o Imperador Romano ou o Rei de França.
Em segundo lugar, a Constituição define claramente os eleitores: os cardeais com menos de 80 anos. A existência de um processo eleitoral não transforma a Igreja numa democracia. Os cardeais são nomeados pelos Papas anteriores, e a sua composição demográfica não deve ser interpretada como representativa de dioceses, países ou correntes de opinião dentro da Igreja.
Nota: Pode ler este conteúdo na íntegra na edição impressa do jornal de Negócios de 2 de maio de 2025.
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