Filipe Santos: "Um novo ciclo e as aprendizagens importantes"

Respira-se este setembro o início de um novo ciclo. O ciclo do pós-pandemia comum regresso progressivo à tão desejada normalização da nossa vida quotidiana e económica. Um ciclo pós-eleitoral com novos executivos camarários que terão quatro anos para mostrar aos seus munícipes que mereceram o voto de confiança que lhes foi dado este domingo. Um novo ciclo escolar em que se tentará recuperar o atraso nas aprendizagens provocado pela pandemia e preparar as novas gerações para um futuro em constante mudança. Um novo ciclo de vacinação contra a gripe, após o sucesso da campanha atual, motivo de orgulho de Portugal a nível mundial. Um novo ciclo de investimento e crescimento, acelerado pelo início efetivo do fluir dos fundos do PRR, a bazuca europeia para a recuperação económica.

Este poderá ser um ciclo muito positivo para o crescimento da economia e para o bem-estar dos cidadãos. Mas muita coisa pode também correr mal. O aumento do endividamento de muitas empresas e famílias, aliviado temporariamente pelas moratórias, pode causar danos à economia a prazo. O assomar da inflação a nível mundial pode fazer inverter o ciclo de taxas de juro baixas do qual dependemos para a sustentabilidade da dívida pública, em particular numa fase de engorda da administração e serviços públicos. A miséria económica e social gerada num grande número de microempresas e famílias ainda não está visível nas estatísticas mas é já profundamente sentida pelas populações. E o impacto negativo da pandemia na saúde física e mental dos cidadãos ainda não é evidente, mas é grave e vai arrastar-se durante vários anos.

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 28 de setembro de 2021.