Fernando Ilharco: "Redefinir o sucesso"

Talvez como sinal de fundo da força cultural, política e económica das sociedades ocidentais, uma mudança de fundo parece de facto estar em curso. Por todo o lado, as pessoas estão preocupadas.

Existe uma atenção crescente às condições de vida, ao combate à pobreza, à dignidade e ao acesso à saúde e à educação, à promoção da responsabilidade social, ética e moral, à luta contra o aquecimento global e à pegada de carbono, à promoção da sustentabilidade do estilo devida nos países mais desenvolvidos e nas economias emergentes, etc. As novas gerações, por outro lado, mostram uma consciência crescentemente crítica e uma maior capacidade de intervenção social, bem como uma maior valorização de um estilo de vida pós-material, focado na construção de significado, no relacionamento com os outros e na partilha.E é aqui, parece-nos, que assentarão as dimensões emergentes do sucesso.

Há algo de paradoxal no lado de cá da crise global, na Europa e nos países mais desenvolvidos: muitos e muitos milhões não vivem a crise como uma crise. O regresso da inflação, a subida das taxas de juro, a guerra na Europa, a emergência de um mundo de blocos, a desaceleração da economia chinesa e outros aspectos não estão a perturbar, pelo menos para já, o ritmo do turismo, das férias e dos projectos profissionais e pessoais da maioria das pessoas. Tratando-se de uma crise, a maioria das pessoas não a sente de facto como uma crise grave, continuando focada em atingir o sucesso profissional e social.

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal De Negócios de 25 de agosto de 2022.