Fernando Ilharco: “Quebrar uma vez”
Não é apenas a excelência que é um hábito, como escreveu Aristóteles. Ser fraco ou razoável no que se faz, não fazer a diferença, também são hábitos. No entanto, nem a excelência nem a mediocridade são definitivas, estáticas ou algo que permaneça necessariamente numa pessoa. Depende do que se faz. Dizia Dom Quixote ao seu escudeiro Sancho Pança, “sabes, Sancho, não há no mundo um homem que seja mais do que outro, mas sim que faz mais do que o outro”. Depende do que se faz.
Muito se tem dito e escrito ultimamente sobre os hábitos. Uma das ideias consensuais é a de que mudar um hábito requer tempo, entre quinze dias a um mês, em média. Mas pode ser que, de facto, não seja assim. A ideia de que é necessário tempo, uns quinze dias a um mês, é muitas vezes a causa principal para a necessidade desse mesmo tempo.
Um hábito pode mudar-se definitivamente de um dia para o outro. Não é sempre assim, e há hábitos naturalmente mais fáceis de deixar do que outros. Mas quebrar um velho hábito, ou seja, não fazer mais o que não queremos fazer, uma primeira vez, é muito importante. Uma vez, quebrar o hábito. Qualquer um consegue fazê-lo desde que queira. Como Dom Quixote dizia, trata-se de fazer, de fazer mais do que o outro, de ser capaz. E se uma pessoa decidir, e se convencer de que é capaz, é capaz. Escreveu Virgílio, poeta romano, há dois mil anos, “são capazes os que pensam que são capazes.”
Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 14 de janeiro de 2022.
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