Fernando Ilharco: "Os desafios dos líderes"

Não é em situações estáveis que a liderança faz diferença, mas em situações novas, ambíguas, de desafio e de mudança, como a que estamos a viver e viveremos nos próximos anos. Mudar, as coisas mudam sempre. É a natureza do mundo. O problema é se mudam ou não para melhor. O desafio da mudança é onde se o que acabará por acontecer é ou não aquilo que quisemos que acontecesse, é ou não uma melhoria para a organização? Hoje, em 2021, os desafios dos líderes são três: saber o que é diferente e o que é igual na liderança presencial e digital, e actuar conforme às exigências de uma realidade híbrida; aceitar a mudança e garantir que o que acontecerá vai ser o que queremos que aconteça; e promover aaltaperfonnance, de si próprio, dosprofissionais e da organização.

Na liderança de sucesso, presencial e digital, existem comportamentos semelhantes e comportamentos distintos, tal como aqui escrevemos há duas semanas. Em síntese, pode dizer-se que no ambiente digital o foco na transformação organizacional e no futuro é mais acentuado, assim comoa pressão paraaoptimização, para a adaptação e para uma comunicação constante, clara ecriteriosa.

Os mal-entendidos e o distanciamento são ameaças maiores e a autonomia e os resultados são aspectos privilegiados. No cerne da mudança estão as pessoas concretas, da organização. O que muda urna organização não é conhecimento, nem os planos, nem os lideres. O quea muda, ou não muda, são as pessoas que lá estão.

Um líder tem por desafio criar um contexto, uma situação, que favoreçaa vontade, o envolvimento, a determinação dos profissionais em que as coisas mudem para melhor. Durante muito tempo acreditou-se que a mudança dependia da qualidade da solução: constatava-se um problema, aplicava-se o melhor conhecimento no seu estudo, desenhava -se umasoluçãoe ascoisas aconteciam naturalmente.

Hoje sabe-se que não é assim. Sabe-se que é crítico que os profissionais se envolvam, antes das soluções, nos problemas, que os sintam, e que pensem e se identifiquem com uma solução em que acreditam. É isso que é real para eles. Num ambiente competitivo, de mudança e inovação como o actual, a alta peifonnance é o derradeiro teste de prosperidade. Não se relacionaapenas com trabalhar muita Entre os melhores, todaa gente trabalha muito. Trabalhando muito, o desafio da alta performance é sobretudo trabalhar bem, isto é, trabalhar para atingir resultados e para aprender, para melhorar. 

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 2 de março de 2021.