Fernando Ilharco: "Falsos positivos"

A positividade tende a facilitar o sucesso profissional e social, tem mostrado nos últimos anos a investigação científica sobre o assunto. Ser optimista, bem-disposto, alegre, motivado, gerar bom ambiente, ajuda a trabalhar bem, a atingir os objectivos e a ter sucesso. Os profissionais mais positivos tendem a ser mais produtivos, mais criativos, mais promovidos e a ganhar mais dinheiro. Os vendedores optimistas vendem sustentadamente mais do que os pessimistas e os estudantes mais positivos obtêm classificações mais elevadas do que os mais negativos.

A questão, no entanto, é mais complexa do que possa parecer. Por um lado, ser positivo, em vez de negativo, pode não se conseguir facilmente. A personalidade e os hábitos, podendo mudar, é um facto, podem, contudo, não mudar de um dia para o outro. Por vezes mudam a curto prazo, mas voltam ao costume uns tempos mais tarde. Por outro lado, há também quem seja positivo por feitio, porque sim, porque se habituou a relacionar-se dessa maneira. O critério de fluido na vida profissional, no entanto, não é a positividade em si mesmo. No final do dia, do mês, do ano, a empresa tem de sobreviver. A positividade ajuda, mas em excesso desresponsabiliza e pode introduzir um ambiente de ligeireza ou de frivolidade. Contratempos, insucessos e dores de cabeça acontecem a todos.

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Jornal de Negócios de 19 de novembro de 2021.