Como será a recuperação do PIB? Letras não faltam
As apostas estão quase todas entre o W, o K e uma forma em V alongado, semelhante ao logotipo de urna conhecida marca norte-americana de artigos de desporto. E as fichas começam a deslocar-se para esta última hipótese. Há um ponto em comum: a recuperação vai ser mais lenta do que o inicialmente previsto, e só mesmo em 2023 é que a atividade deverá regressar aos níveis pré-pandemia de 2019.
É essa a expectativa dos economistas ouvidos pelo Dinheiro Vivo, depois de conhecida a estimativa provisória do produto interno bruto (PIB) para o terceiro trimestre, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e as mais recentes previsões da Comissão Europeia (CE) divulgadas na passada quinta-feira. Uma recessão cavada neste ano já é dada como garantida, com uma queda histórica do produto.
O economista João Borges de Assunção, da Católica-Lisbon School of Business & Economics da Universidade Católica Portuguesa, não descarta nenhum cenário. "Em termos da descrição do que se está a passar entre março e dezembro deste ano as letras W (segunda vaga) e K (setores a sofrer muito e outros a recuperar depressa) parecem ser as narrativas, mas razoáveis", aponta. O professor da Católica confessa que o que mais o preocupa "é a perda acumulada da economia no final de 2021 face ao quarto trimestre de 2019. Se for inferior a 2% poderá ser uma recessão relativamente rápida, se for maior as perdas de emprego, empresas e instituições podem ser grandes, deixando cicatrizes grandes na economia que demorarão muito tempo a sarar", conclui. "Choques de oferta tendem a proporcionar uma recuperação rápida.
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