Como mudou a economia, com um ano de pandemia em cima

Foi um ano de mudanças profundas nas economias de todo o mundo. A pandemia e as medidas de restrição de movimentos obrigaram a quebras inéditas de atividade, subidas do desemprego e reflexão sobre as nossas fragilidades sociais. Ao mesmo tempo, aceleram uma série de transformações. 

Um ano terrível para a economia portuguesa, com a segunda maior quebra do PIB em 150 anos. Mas uma reta final surpreendente permitiu bater todas as previsões.

Recuperação rápida é possível? O desemprego português voltou a aumentar e o PIB colapsou 7,6% em 2020. Ainda assim, este resultado é melhor do que todas as previsões económicas feitas por instituições nacionais e internacionais. As estimativas tinham um intervalo entre -8,1% e -10%, com a mais otimista a pertencer ao Banco de Portugal e a mais pessimista ao FMI.

Os dados do emprego mostram o mesmo padrão: uma evolução negativa, mas menos dramática do que se antecipava. A taxa de desemprego anual de 2020 ficou em 6,8%, “apenas” 0,3 pontos acima do valor médio de 2019. Um resultado também abaixo de todas as previsões, que apontavam para um intervalo entre 7,2% e 10 por cento. A contração do emprego (-2%) compara com estimativas entre os -2,3% e os -4,4 por cento. Como é que isso se explica?

João Borges de Assunção, coordenador do Católica Lisbon Forecasting Lab, aponta para duas iniciativas: layoff simplificado e moratórias. “A minha melhor interpretação prende-se com a eficácia de dois tipos de medidas.

Em primeiro lugar, as medidas de apoio ao emprego, em particular as relativas ao layoff simplificado e aos apoios relacionados.

Em segundo lugar, as medidas associadas a moratórias e concessão de crédito às empresas”, explica à EXAME. Outros economistas apontam a adaptação de empresas e consumidores a um mundo sem vendas presenciais. O que significa para 2021? O BPI escreve que a contração do PIB abaixo do que se esperava evidenciava “a resiliência da economia quando aliviadas as restrições à mobilidade, abrindo espaço à recuperação pujante da atividade após o confinamento”.

Borges de Assunção tem as mesmas suspeitas. “O ressalto da economia no terceiro trimestre do ano também foi inesperadamente forte o que sugere a possibilidade da ocorrência de uma recuperação em “V” quando houver um desconfinamento geral da economia”. 

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa do Exame de 26 de fevereiro de 2021, disponível nos locais habituais.