Bernardo Ivo Cruz: "Em um mês a Europa mudou"

Em maio de 2021 as instituições da União Europeia lançaram a Conferência sobre o Futuro da Europa, um grande programa de consulta aos cidadãos sobre o futuro da UE, composto por diálogos abertos onde qualquer pessoa pode contribuir para o debate de temas tão importantes como economia, justiça social, educação, valores e democracia, ambiente, saúde e o papel da União no mundo. O processo de consultas encerrou em fevereiro e as conclusões dirigem-se, na sua grande maioria, à vida interna da UE e dos seus Estados e traduzem as preocupações dos europeus com o crescimento económico, o desenvolvimento social, a sustentabilidade ambiental e a boa governação nacional e da UE. Ou seja, com o desenvolvimento equilibrado e sustentável.

Quando olhamos para a forma como quem participou considera o papel externo da UE, ficamos com uma percepção mais clara sobre a forma como os europeus vêem o papel e os mecanismos de atuação da União Europeia fora de portas. Nas recomendações há apenas uma referência ao papel da UE em conflitos armados, sugerindo a criação de um exército europeu de defesa, sem competências em conflitos externos. Todas as restantes recomendações - mesmo as muitas relacionadas com as migrações - mostram um mundo onde a guerra e os conflitos não têm lugar na Europa. O mundo como o conhecíamos até há um mês.

De lá para cá, a EU aprovou o maior regime de sanções de sempre, financiou e armou a Ucrânia, países como a Suécia e a Finlândia abandonaram a sua tradicional neutralidade, a Alemanha alterou a sua política de não intervenção direta em conflitos armados, a coordenação entre a UE e a NATO aprofundou-se de forma substantiva e o reforço dos orçamentos de defesa deixou de ser um tabu.

Artigo completo disponível no Diário de Notícias.