Arménio Rego: "O papel virtuoso do bobo da corte"
O que a novela Anjos vs. Joana Marques nos ensina sobre liderança? Mais do que possa parecer. A expressão “bobo da corte” tem, frequentemente, uma conotação negativa. Nessa aceção, o bobo da corte é o bombo da festa, o palerma de serviço, aquele que se presta ao ridículo. É, digamos, o bobo tipo 1. Mas, em tempos idos, o bobo da corte era alguém “insanamente inteligente”, capaz de empregar “subtis e sofisticadas” formas de crítica dirigidas ao poderoso. Este bobo, tipo 2, além de divertir a corte, criticava-a, sem receio de ser punido – pois a crítica era feita sob o manto da paródia e a corte não se sentia intimidada (verdade seja dita: a brincadeira saiu cara a alguns bobos!). O poderoso saía da bolha, tomava algum contacto com a realidade, ficava mais imune às intrigas da corte – e assim se tornava mais propenso a refletir sobre as suas decisões. Ricardo Araújo Pereira referiu o seguinte numa entrevista concedida em 23 de fevereiro de 2019:
“A rainha Vitória (…) exigia que o seu bobo fosse muito violento com ela. Quanto mais destrutivas fossem as piadas mais impassível ela ficava. (…) E era uma das maiores provas do seu poder. Podia dar-se ao luxo de ter um tipo que a destratasse diante da corte e ficava imune. Normalmente a posição dos ditadores é a contrária, o melhor é calar.”
Artigo completo disponível na LÍDER.
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