Arménio Rego: "Compaixão e crueldade"
Ser empresário e liderar uma empresa é mais complexo do que algum ativismo de bons sentimentos faz supor. Todavia, muito sofrimento infligido durante esta crise era evitável. E poderá deixar essas empresas socialmente mais fragilizadas para enfrentarem desafios pós-pandemia. Partilho, pois, três reflexões.
Primeira: a construção de melhores empresas depende de muitos fatores fora do controlo de quem as gere. Mas outros fatores resultam de escolhas deliberadas. Há quem opte pela liderança macho-alfa, repleta de “força” (ou arremedos da mesma), descurando o respeito e a dignidade. É uma força fraca. O modelo de liderança de que necessitamos incorpora compaixão e firmeza, empatia e dureza, respeito e capacidade de tomar decisões duras e impopulares quando necessário.
Segunda reflexão: a esta crise outra se sucederá, pelo que convém estar preparado. Algum sofrimento futuro pode ser evitado se as empresas criarem uma almofada financeira para lidar com essa adversidade. Esta preparação é, todavia, um desafio enorme. Requer a disposição para ser alvo de acusações de pessimismo.
As narrativas e as buzzwords de gestão são, por vezes, repletas de otimismo – e os gestores mais admirados são os que prometem um mundo repleto de sucessos e objetivos ambiciosos. Em determinados contextos, os gestores que se atrevem a sugerir prudência e reflexão sobre perigos são recebidos com desconfiança – e arredados de posições de poder mais relevantes.
Pode ler o artigo completo na edição impressa de dezembro da revista Líder, nas bancas.
Categorias: Católica Porto Business School