Armando Rocha: "Abertura do ensino superior ao mercado global"

Numa altura em que discutimos o modelo social e económico pós-pandemia, há um espaço para pensarmos na abertura das universidades portuguesas ao mercado global. Claro que o mundo académico não pode estar sujeito a um código mercantilista, mas pode estar aberto ao mundo e assim atrair novos alunos, que dinamizam a economia nacional e contribuem para o financiamento das universidades.

No nosso caso, esta tarefa seria simples, pois já temos docentes e investigadores de qualidade, uma competência linguística capaz de satisfazer as exigências do mercado global, uma posição geográfica privilegiada e capacidade criativa e de inovação. Porém, o atual regime jurídico prejudica gravemente a internacionalização da nossa academia.

Pela sua especial nocividade, destaco três aspetos que merecem reflexão. Primeiro, a excessiva burocratização. É verdade que há um projeto de desburocratização em curso no ensino superior, mas que confunde desburocratização com digitalização de procedimentos.

Por isso, sob o pretexto da maior simplicidade digital, hoje proliferam plataformas de recolha de dados para fins estatísticos, de avaliação e controlo de qualidade (frequentemente redundantes), que desviam os recursos humanos das tarefas de investigação e docência para tarefas puramente burocráticas. Mais, a qualidade e a criatividade estão hoje reféns da tirania obsessiva das folhas Excel e do obscurantismo das plataformas digitais.

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