António Baldaque da Silva: "Planeta saudável, Capitalismo forte"

O crescimento económico e o desenvolvimento humano desde a revolução industrial têm sido excecionais e exponenciais, mas assentes num “metabolismo” civilizacional voraz. No caminho para um aumento significativo da nossa qualidade de vida, criamos uma dependência energética insaciável: desenvolvimento = energia.

A economia de mercado vigente na maior parte das sociedades ocidentais tem sido responsável por desenvolvimentos económicos, científicos e sociais consideráveis. Na base desse sistema está a noção de que as (micro) decisões individuais de milhões de agentes económicos levam a uma utilização óptima dos recursos disponíveis. Será que este princípio sobrevive às mudanças climáticas?

Para responder a esta questão, comecemos por analisar separadamente um tipo de decisões que estes agentes económicos tomam. Decisões que têm um impacto significativo nas pessoas que nela não estão envolvidas. Em economia este impacto – externalidade – é estudado pelo menos desde o século XIX. O problema com as externalidades é o desajuste entre o proveito (ou custo) económico privado e o benefício (ou custo) público. Este desajuste significa que nem todos os proveitos (ou custos) sociais são incorporados nas micro decisões dos agentes económicos, levando a uma escassez (ou excesso) de oferta dessa externalidade. Esse desajuste deve ser por isso regulado em nome da majoração do bem social. Note-se que as externalidades podem ser positivas – por exemplo, investigação de uma empresa que facilita o aparecimento de outros centros de investigação à sua volta – ou negativas – por exemplo, emissões de carbono que contribuem para o aquecimento global.

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