André Azevedo Alves: "A fusão do CDS com o PSD"
Em 2016, escrevi no Observador que, mais do que saber quem seria o líder a ter a difícil tarefa de substituir Paulo Portas, importava que o CDS discutisse ideias e políticas e reflectisse sobre a sua razão de ser no sistema político-partidário português (isto num contexto em que não existiam ainda Iniciativa Liberal nem Chega). Mais recentemente, no início deste ano (e já com Iniciativa Liberal e Chega representados na Assembleia da República e à frente do CDS em todas as sondagens), procurei explicar por que me parecia que os dilemas e dificuldades do CDS poderiam não ser passíveis de resolução por via interna, independentemente de quem controle o partido. Creio que os desenvolvimentos das últimas semanas têm vindo a confirmar (ou pelo menos a não refutar) esta hipótese. Acrescento agora um outro elemento à análise: nas actuais circunstâncias, o cenário de fusão do CDS com o PSD ganha cada vez maior plausibilidade como caminho a seguir no contexto da reconfiguração da direita em Portugal.
A experiência e os resultados das recentes eleições autárquicas sugerem que o CDS tem cada vez menos condições para se apresentar a votos isoladamente mas que pode ainda, pelo menos em algumas circunstâncias, contribuir com relevância para candidaturas lideradas pelo PSD, com benefícios para ambos os partidos. O exemplo de Lisboa foi a este propósito o mais evidente: sendo inegável que o mérito principal da vitória cabe a Carlos Moedas e aos estrategas da sua campanha, é também verdade que o CDS forneceu um amplo número de candidatos e que, considerando a escassa margem de vitória, a existência da coligação foi provavelmente importante. É certo que há também um legado menos favorável das autárquicas para o CDS: ao apresentar-se a votos em coligação com o PSD em muitos dos principais municípios do país, o partido contribuiu para o apagamento da sua própria marca junto dos eleitores. Mas esta realidade, ainda que negativa para o CDS, só reforça a plausibilidade de um cenário de fusão com o PSD.
Um outro factor a ter em conta é que o CDS sempre foi em larga medida aquilo que se tipificou designar como partido de quadros. Ao contrário da realidade mais catch-all do PSD, o CDS foi sempre mais marcado e definido pelos seus quadros do que pelas suas bases. Ora, com a exiguidade eleitoral do CDS e os desenvolvimentos das últimas semanas, há um conjunto relevante de quadros do partido que faria todo o sentido - a prazo - poderem ser integrados no PSD. Este não é o momento para elencar nomes - até para não ferir sensibilidades muito acesas - mas qualquer observador imparcial e atento conseguirá facilmente construir uma lista de quadros que teriam excelente enquadramento no PSD.
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