Alfredo Teixeira: "Caril e poejo, ou o medo do estrangeiro"
Numa recente passagem por um dos lugares da minha vida, no sudoeste alentejano, fui surpreendido por uma nova paisagem de odores. Nos arruamentos interiores de uma vila, por entre arquiteturas tradicionais – assim ficcionadas –, um cheiro intenso a caril invadia a via alentejana, tornando evidente a presença de uma comunidade de imigrantes. Era domingo e preparavam a sua refeição. Na sua cozinha, venciam a distância, ensaiavam uma pátria/mátria portátil de odores e sabores. Assim, o caril juntava-se, no horizonte alentejano, aos aromas do poejo, dos coentros, da erva-doce, da manjerona, também elas plantas de muitas migrações e diásporas.
Esta experiência foi contemporânea de um sobressalto na esfera pública: notícias de agressões a imigrantes, adultos e crianças. Tendencialmente, todos se mostraram chocados. A violência indiscriminada, baseada em estereótipos, é condenada pela opinião pública. Nos últimos dias, têm sido frequentes as considerações acerca do contributo das comunidades de imigrantes para a economia, a natalidade e o sistema contributivo.
Artigo completo disponível na Renascença.
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