Alberto Castro: "Pior a emenda que o soneto"

Em tempos, acompanhei um grupo que ajudou um município na revisão da sua política de apoio ao arrendamento, cujo propósito último, como devia sempre ser, era o de ajudar a criar condições para o tornar redundante. Identificados os potenciais beneficiários, o grupo focou-se nas pessoas mais novas, aquelas para quem fazia sentido a ambição de um “turnaround” na sua situação. Numa primeira análise, saltava à vista a prevalência de famílias desestruturadas, baixos níveis de escolaridade, uma confrangedora iliteracia financeira e altos níveis de endividamento, resultantes de excessivo recurso ao crédito ao consumo e de abuso de cartões de crédito. Alguns dos agregados beneficiavam, já, de outros apoios sociais.

Com este quadro de base, era óbvia a necessidade de uma abordagem integrada que ia muito para além do eventual apoio ao arrendamento. Organizaram-se sessões de literacia financeira e mecanismos de aconselhamento na gestão da dívida (em cuja acumulação era clara uma falha na responsabilidade social das entidades promotoras do crédito ao consumo e emissão de cartões de crédito).

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