Adaptar o ensino ao cérebro

É mais ou menos senso comum que a atenção é um recurso limitado. Mas tem ideia quanto? O que a ciência diz é que qualquer pessoa é capaz de se manter atenta pelo menos 10 minutos. A partir daí varia. Os mais novos têm mais dificuldade em manter o foco e isso também tem uma explicação. Existem três circuitos diferentes no cérebro que dizem respeito à atenção. O circuito da chamada atenção executiva, aquela que nos ajuda a aprender, está presente no córtex pré-frontal. Precisamente a estrutura do cérebro que só fica completamente desenvolvida no fim da adolescência. Daí que seja importante os professores perceberem como usar este recurso nas aulas.

Existe pouco esta noção, acredita Joana Rato. "Tenho ideia de que muitas vezes se fazem planos de aula para adultos", sublinha a psicóloga da educação, em tom de brincadeira. "Esquecem-se de que estão a trabalhar com crianças e jovens." A investigadora — autora do recém-publicado ensaio Mente,Cérebro e Educação, da Fundação Francisco Manuel dos Santos — afirma haver pouca interligação entre o que se sabe sobre o funcionamento do cérebro e o ensino. E que isso se observa na formação dos professores. "Não se encontram as questões do neurodesenvolvimento nos planos curriculares dos cursos", diz. À SÁBADO, explica como as duas coisas deviam funcionar em conjunto — em benefício da aprendizagem dos alunos — e desfaz mitos relacionados com o cérebro na educação.

Nota: Pode ler o artigo na edição impressa da Revista Sábado de 9 de fevereiro de 2023.