Célia Manaia: "Conhecimento científico, para que o queremos?!"

Ao longo de décadas, as sociedades, sobretudo aquelas em que a cultura anda a par do desenvolvimento económico, habituaram-se a que do conhecimento científico surjam soluções para os mais diversos problemas. Deste modo, o conhecimento científico é visto como uma forma de beneficiar as sociedades, e, portanto, é muito bem aceite. Na realidade, é um benefício, colocado ao nível de um bom sistema de saúde ou rede escolar. Porém, talvez deva ser muito mais.

A visão utilitarista do conhecimento científico, ou seja, a de que serve para resolver problemas, desvirtua não só o papel da ciência, mas também de como esta deve ser usada. Infelizmente, esta visão utilitarista está tão enraizada que é fortemente incentivada pelas entidades que financiam a investigação científica.

Mas, será este o conhecimento científico que nos pode levar mais longe? Talvez, não. Idealmente, o valor do conhecimento científico deveria ir muito para além do que se investiga, ou dos problemas que possa resolver. Deveria também contribuir para sociedades que veem na ciência motivo para a interrogação, para ambicionar conhecer mais, para visões mais desmaterializadas do mundo e inspiradas na natureza que a ciência nos revela.

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