Brasil. A democracia pode estar em perigo?

Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. As sedes dos poderes executivo, legislativo e judicial brasileiros foram alvo de um ataque inédito na História do Brasil, apenas uma semana depois da tomada de posse de Luiz Inácio Lula da Silva como Presidente da República. Perante a ausência e o silêncio ensurdecedor de Jair Bolsonaro, que se refugiou nos EUA, ainda antes da tomada de posse do sucessor, ao qual não entregou a faixa presidencial, milhares de “terroristas”, “vândalos” e “arruaceiros” entraram nos edifícios federais e deixaram, atrás de si, um rasto de destruição.

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Um caso de “mimetismo político e de cooptação inversa do processo democrático”, resume à VISÃO Isabel Capeloa Gil, professora de Estudos Culturais e reitora da Universidade Católica Portuguesa. “Podemos dizer que segue uma linha narrativa testada no ataque ao Capitólio e que invoca os processos revolucionários violentos, que estiveram na base da afirmação das democracias modernas, tal como aconteceu com as guerras de independência na América Latina, a Revolução Francesa e a Revolução Americana. Utiliza-se um argumento de patriotismo arcaico, completamente deslocado, para se justificar um processo violento de destruição da democracia”, continua.

Um dos maiores perigos destes movimentos reside no facto de não se afirmarem contra a democracia liberal, garantindo, sim, que pretendem reformá-la, o que pode enganar os mais desatentos. “É um processo sofisticado, que passa por cooptar o direito de manifestação contra a própria estrutura democrática que o permite”, avisa ainda Isabel Capeloa Gil.

Nota: Pode ler o artigo na íntegra na edição impressa da Revista Visão de 12 de janeiro de 2023.