Ricardo Morais: "O papel da religião na gestão"

Em abril de 2021, Brett Smith, Diretor do Laboratório de Investigação L.I.F.E. – Leading the Integration of Faith and Entrepreneurship na Universidade de Miami em Ohio organizou a primeira conferência internacional de investigação sobre o papel da religião na gestão. A conferência contou com 32 oradores convidados, na sua maioria professores de gestão em universidades americanas e canadianas. A principal motivação para a realização da conferência foi a constatação de que o estudo científico da gestão raramente tem em conta a religião dos empreendedores, dos gestores e dos investidores.

Em julho de 2021, o Journal of Business Venturing publicou um artigo de Brett Smith, Jeffery McMullen e Melissa Cardon, no qual propõem uma viragem teológica (theological turn) na justificação teórica da gestão até aqui dominada pela teoria económica. Em particular, argumentam que a teoria económica assente em conceitos tais como o materialismo, o interesse próprio e a racionalidade, é insuficiente para explicar fenómenos de gestão motivada pela espiritualidade, pelo altruísmo e por emoções tais como a empatia.

Os autores enumeram também quatro razões pelas quais faz sentido estudar o papel da religião na gestão: prevalência, centralidade, cientificidade e relevância. De acordo com o Pew Research Center em Washington, em 2010 mais de 80% da população mundial considerava-se religiosa, incluindo 32% de cristãos, 23% de muçulmanos, 16% de hindus e 7% de budistas.

A religião é, portanto, um fenómeno prevalente na sociedade, incluindo a gestão. Além disso, para muitos crentes a religião não é apenas uma influência no seu dia a dia, mas um dos principais fatores de decisão, tornando-a central nas suas vidas.

Leia o artigo completo do docente da Católica Porto Business School no site do Jornal Económico.