O debate das pensões
Porque não se consegue um debate sereno e sensato acerca das pensões de reforma? Em si o tema é linear: as pessoas descontam do seu rendimento enquanto ativas para receberem um auxílio quando deixarem de estar; em cima disto o Estado impõe alguns ajustes, tirando aos ricos para dar aos pobres, como faz aos próprios rendimentos. Num mundo tão complexo como o de hoje, a questão não mostra transcendência.
Além disso o tema já foi estudado repetidamente por inúmeras autoridades, com profusos diagnósticos e terapêuticas, aliás bastante consensuais. No entanto, cada vez que é levantada, como no recente estudo encomendado pelo Governo, a discussão revela-se deplorável, confundindo mais do que esclarecendo. Isso vê-se logo porque em vez de esgrimirem argumentos, os participantes atacam-se mutuamente. Não interessa o que se diz, mas o que se é acusado de ser.
Depois, como a opinião pública não lê os relatórios, os comentadores resumem em pequenas frases, em geral disparates simplistas e redutores, enganando todos. Finalmente, o tema vem embrulhado na clivagem política do século, entre os que odeiam tanto a ganância dos capitalistas que preferem os abusos dos políticos e vice-versa. Como a história demonstra ambos os termos em oposição, a única solução é o compromisso entre eles, que acabamos por ter, mas ninguém defende. A verdadeira razão desta indigência intelectual tem a ver, não com os contornos técnicos da questão, mas com a sua influência económica e política.
As verbas envolvidas são mais de 13% do PIB e o tema é decisivo para 35% da população, o que transforma os pensionistas numa das mais poderosas corporações do país. Ninguém se mete com eles e todos os querem seduzir. Por isso, a maior parte dos comentários falam, não de estimativas atuariais, mas de cálculos eleitorais. Por exemplo, qual o atual balanço financeiro do sistema? Esta resposta, que é decisiva, devia ser elementar.
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