Aldino Campos: "Ormuz: quando a geografia desafia o direito internacional"
Durante demasiado tempo, consolidou-se a ideia de que a globalização, a digitalização e a interdependência económica teriam reduzido o peso da geografia nas dinâmicas internacionais. No fim dos anos 90, Philippe Defarges chegou mesmo a teorizar sobre o fim das fronteiras na nossa aldeia global, tal como as conhecíamos.
Hoje, porém, percebe-se que esta leitura foi precipitada. A realidade contemporânea continua a demonstrar que os mapas, com as suas fronteiras, estreitos e corredores estratégicos, permanecem centrais para compreender o funcionamento do sistema internacional. O estreito de Ormuz é hoje um dos exemplos mais claros dessa realidade, afirmando-se como um espaço onde geografia, direito internacional e economia se cruzam de forma particularmente sensível. Ligando o golfo Pérsico ao mar Arábico, Ormuz continua a ser uma das principais artérias energéticas do mundo.
Nota: Este conteúdo é exclusivo dos assinantes do jornal de Negócios de 13 de abril de 2026.