Dia Mundial do Cinema | Francisco Dias: A importância do Cinema está na partilha da “experiência com outras pessoas”

Com apenas 23 anos, Francisco Dias, finalista do Mestrado em Cinema na Universidade Católica, já está a dar os primeiros passos na carreira como cineasta. Em 2020, venceu o prémio de melhor filme na competição Take One! no Festival Curtas de Vila do Conde, com I don’t like 5 p.m., curta-metragem desenvolvida na Licenciatura na Escola das Artes.

“A curta conta de uma forma poética e quase sem diálogo a história do meu primeiro amor, um encontro, e depois, no fim, um desencontro”, explica Francisco. “A competição era feroz e fiquei muito contente de poder ter ganho,” partilha o jovem realizador. Com o prémio, que marca o “início de uma carreira no cinema”, o filme passou a ser agenciado e apresentado “noutros festivais, não só em Portugal, mas noutros países europeus,” e está agora disponível na plataforma de streaming Filmin.

Para Francisco, a paixão pelo cinema começou no ensino secundário. Indeciso entre Cinema e Engenharia Aeroespacial, escolheu fazer a Licenciatura em Som e Imagem na Escola das Artes do Centro Regional do Porto, após falar com ex-alunos e visitar a Universidade. “Senti que a Católica seria a melhor opção”, conta. Certeza que reafirmou no Mestrado.

Um percurso que considera ter sido muito libertador. E “importante para ser a pessoa que sou hoje,” acrescenta. Dos pontos fortes da Universidade, destaca todo o “equipamento de câmara, de iluminação e de som” e os estúdios de pós-produção de imagem e som colocados à sua disposição, bem como a capacidade de “desenvolver a criatividade, o pensamento artístico e o método de pesquisa”. Ferramentas que acredita o irão “acompanhar no futuro”.

Francisco descreve a carreira que escolheu como uma de grande responsabilidade. “O papel de um cineasta hoje em dia é de uma importância nuclear”, diz. “Num mundo em que há muitas imagens que são fabricadas,” crê ser importante “transmitir algo de mais verdadeiro, partilhar emoções reais, e representar aqueles que merecem ser representados.” É por isso que para o seu projeto de mestrado escolheu “fazer uma curta-metragem sobre a forma como o avanço do mar e a erosão costeira afetam a vida de uma comunidade que mora junto ao mar”

Quanto ao futuro do cinema português, tem a esperança da criação de “uma indústria mais sólida, e de um esforço por mostrar aos portugueses cinema feito em Portugal”. Em especial, na sua cidade natal, o Porto. Aqui salienta as iniciativas de Luís Costa e José Magro, “dois alunos da Católica que iniciaram as suas produtoras e que estão a desenvolver trabalho muito interessante” em cinema.

Apesar de ser da opinião de que plataformas de streaming como a Filmin são uma forma de levar o cinema a mais pessoas, particularmente as curtas-metragens e obras de jovens artistas, Francisco não consegue abdicar da experiência cinemática. Para o artista, ir ao cinema é importante devido à escala, à qualidade, mas sobretudo à “presença do público, ou seja, poder partilhar a experiência com outras pessoas.”

É por isso que neste Dia Mundial do Cinema recomenda três filmes diferentes para ver no cinema ou em casa: Sem Deixar Rastos, “uma história passada nos anos 80, em Varsóvia, de um jovem que foi morto pela polícia”; O Triângulo da Tristeza, que satiriza os extremamente ricos; e Alma Viva, “o candidato português aos Óscares”, que representa “um retrato autêntico de uma família de Trás-os-Montes.”

 

Veja a 1.ª curta do jovem realizador aqui

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Quinta, 03/11/2022