Dia Mundial do Cérebro: “O potencial deste órgão é muito amplo e todos os dias temos surpresas”

Patrícia Oliveira-Silva é neurocientista e todo o seu percurso profissional tem sido dedicado ao estudo do cérebro. Apesar da grande experiência na área das neurociências, esta docente da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, refere que “estudar o cérebro é um desafio constante, porque este é um órgão com muito ainda por descobrir.”

No dia em que se assinala o Dia Mundial do Cérebro, a investigadora salienta a importância de aproveitar esta data para “celebrar todo o conhecimento e investimento na área das neurociências”, mas sobretudo “é uma ocasião para partilhar informação que ajude as pessoas a tirarem melhor partido do seu cérebro.”

Patrícia Oliveira-Silva não gosta de falar em “grau de importância deste órgão no sistema fisiológico”, mas admite que “tem um papel essencial, senão prioritário no nosso funcionamento.”

Mas se a importância é inquestionável, já o aspeto físico do cérebro, segundo a cientista, “desilude pela sua aparência pouco apelativa”. Com um peso aproximado de 1,5 kg, “este órgão controla emoções, pensamentos, memórias e o modo como funcionamos.”

À frente do Human Neurobehavioral Laboratory (HNL), laboratório da Universidade Católica para o estudo das neurociências, desde a sua criação, em 2014, Patrícia Oliveira-Silva salienta que este é um espaço onde, “desde o primeiro ano da licenciatura, qualquer aluno da UCP pode ter contacto com a investigação nesta área.”

A investigadora foi convidada para desenvolver este projeto, logo que terminou o doutoramento e confessa que “tem sido muito gratificante saber que a investigação está acessível a todos, com apoio forte de tutoria, mas em que todos podem colaborar e até mesmo participar em redes internacionais.”

“Quando o HNL surgiu, um dos pilares era permitir que os alunos da UCP tivessem um contexto rico e prático, onde aprender sobre investigação nas neurociências, mas que depois pudéssemos sustentar essa formação com base na investigação”, refere a investigadora, acrescentado que “depois, ao longo dos anos, surgiu um 3.º pilar que tem a ver com a disseminação da informação, abrindo a comunicação com a sociedade.”

Por isso, refere a docente, “esta data é também importante para lembrar todas as conquistas alcançadas na deteção precoce de demências, como é o caso do Alzheimer”.

“Usamos agora técnicas, que já existiam, para encontrar padrões cerebrais que permitem antecipar tanto o declínio cognitivo como alguns sinais precoces de demência”, acrescenta a investigadora.

Mas se a cura do Alzheimer ainda não foi conseguida, o certo é que “hoje sabemos que a estimulação cognitiva é importante e pode ser feita através da aprendizagem de uma nova língua ou aprender a tocar um instrumento”.

Apesar das grandes descobertas, o cérebro ainda “é um mistério” e talvez por isso gerador de grande especulação, como se percebe pelos vários mitos em torno deste órgão do corpo humano.

Com base na investigação científica, esclarecemos apenas dois deles: “não existem diferenças entre os cérebros de um homem e de uma mulher e os cérebros maiores não são os mais inteligentes.”

“O grande diferencial não é de todo a volumetria, mas sim como as diferentes áreas cerebrais se comunicam “, esclarece a investigadora.