Carina Veríssimo: “A educação é uma relação de aprendizagem mútua.”

Carina Veríssimo

Carina Veríssimo é licenciada em Ciências Religiosas pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. É professora de Educação Moral e Religiosa Católica e coordenadora pedagógica no Colégio de Gaia. O seu percurso destaca-se pela ligação à comunidade e à fé. Nesta entrevista, recorda as memórias que marcaram o seu percurso pessoal e profissional, reflete sobre as aprendizagens que levou da Universidade Católica e partilha que “um dos grandes desafios é fazer com que os alunos percebam que a EMRC não é apenas uma disciplina sobre religião, mas uma oportunidade para refletirem sobre a vida, sobre si próprios e sobre a relação com os outros.”

 

É licenciada em Ciências Religiosas pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Porquê escolher este curso?

Um dia, estava a ler um jornal e deparei-me com a licenciatura em Ciências Religiosas. Na altura, já estava ligada à paróquia e à comunidade, por isso decidi candidatar-me à Universidade Católica Portuguesa e comecei o curso em 1997. Hoje, olhando para trás, percebo que foi uma escolha que abriu um caminho que acabou por ligar a minha formação, a minha fé, a educação e o serviço aos outros.

 

Que memórias guarda dos seus tempos na Universidade?

Guardo muitas memórias, sobretudo de uma fase de grande esforço, aprendizagem e crescimento. As aulas foram muito importantes nesse percurso. Não eram apenas momentos de aprendizagem e aquisição de conhecimentos; eram espaços de reflexão, de diálogo, de partilha e de entreajuda. As conversas, as diferentes perspetivas e a possibilidade de relacionar aquilo que aprendíamos com as nossas próprias experiências ajudaram-me a crescer e a olhar para muitas questões da vida de uma forma diferente. Sinto que as aulas contribuíram muito para o meu crescimento pessoal, espiritual e profissional. Muitas das questões que ali eram colocadas levaram-me a refletir sobre quem sou, aquilo em que acredito e a forma como me relaciono com os outros. Guardo também com muito carinho o espírito de proximidade entre os colegas. Partilhávamos dúvidas, experiências, dificuldades e conquistas. Essa entreajuda foi fundamental para tornar o caminho mais leve e ensinou-me o valor de caminhar com os outros.

 

De que forma a formação da Católica contribuiu para aquilo que é hoje?

Na Católica, vivi uma aprendizagem que ultrapassou os limites da sala de aula e que continua presente na pessoa e na profissional que sou hoje. Foi um período que me ensinou muito sobre responsabilidade, persistência e capacidade de ultrapassar dificuldades. A Universidade Católica deu-me conhecimentos e formação, mas deu-me também ferramentas para aprofundar questões relacionadas com a fé, a pessoa humana e a sociedade. Hoje, tantos anos depois, continuo a reconhecer no meu percurso profissional muitas das aprendizagens que fiz naquele período.

 

“A Universidade Católica deu-me ferramentas para aprofundar questões relacionadas com a fé, a pessoa humana e a sociedade”

 

É professora de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) no Colégio de Gaia. O que a fez querer ser professora?

A minha entrada na docência aconteceu depois de terminar a licenciatura em Ciências Religiosas. Comecei a lecionar e passei por várias escolas, experiências que foram muito importantes para a minha formação enquanto professora. O que me fez querer ser professora foi, sobretudo, a possibilidade de acompanhar pessoas no seu crescimento. Ensinar é muito mais do que transmitir conhecimentos. É escutar, acompanhar, orientar, desafiar, incentivar e ajudar cada aluno a descobrir as suas capacidades e o seu caminho.

 

“EMRC é um espaço de encontro e de diálogo”

 

Qual a importância da disciplina de EMRC?

Considero que a EMRC tem um papel muito importante na formação integral da pessoa. A escola não deve formar apenas alunos com conhecimentos académicos. Deve também ajudar a formar pessoas capazes de pensar, de escolher, de se relacionar com os outros, de respeitar as diferenças e de assumir responsabilidades. A EMRC proporciona um espaço para abordar questões fundamentais na construção de cada pessoa e para procurar respostas para perguntas que, em algum momento da vida, todos fazemos. A EMRC é também um espaço de encontro e de diálogo. Não se trata apenas de transmitir respostas, mas de ajudar os alunos a fazer perguntas, a refletir e a procurar sentido.

 

Quais são os grandes desafios de lecionar esta disciplina?

Um dos grandes desafios é fazer com que os alunos percebam que a EMRC não é apenas uma disciplina sobre religião, mas uma oportunidade para refletirem sobre a vida, sobre si próprios e sobre a relação com os outros.  Trabalhamos questões profundamente humanas: o sentido da vida, as relações, o amor, a liberdade, a responsabilidade, a dignidade da pessoa, a solidariedade, a esperança e as escolhas que vamos fazendo ao longo do nosso caminho.
Outro desafio é fazê-lo numa sociedade cada vez mais plural, respeitando diferentes experiências, sensibilidades e formas de pensar. É importante criar espaço para o diálogo, para a pergunta e para a reflexão. E, não menos importante, há ainda o desafio de falar aos jovens numa linguagem que lhes faça sentido, sem perder a profundidade das questões que queremos trabalhar.

 

O que é que mais aprende com os seus alunos?

Aprendo que cada pessoa é única. Os alunos ensinam-me a olhar para as situações de diferentes perspetivas, a escutar e, muitas vezes, a questionar as minhas próprias certezas. Aprendo também com a sua espontaneidade, criatividade e capacidade de nos surpreender. Acredito que a educação é uma relação de aprendizagem mútua. Enquanto procuramos ajudar os alunos a crescer, também nós crescemos com eles.

 

O que gosta de fazer nos seus tempos livres?

Acima de tudo, gosto de viver e de apreciar cada momento. Valorizo as coisas simples: uma caminhada, uma boa conversa, um momento em família, um livro, uma música ou simplesmente estar junto de quem gosto. Gosto de sentir que cada dia é uma oportunidade para aprender, para estar com os outros, para agradecer e para fazer a diferença, ainda que através de pequenos gestos.

 


Pessoas em Destaque é uma rubrica de entrevistas da Universidade Católica Portuguesa, Centro Regional do Porto.

Categorias: Faculdade de Teologia Católica Stories

Seg, 12/10/2026