“É tempo de ouvir a natureza!”: ativista Vandana Shiva no Porto em diversas iniciativas promovidas pela Universidade Católica

“É tempo de ouvir a natureza!” - disse Vandana Shiva. Com a plateia do Auditório de Serralves repleta, a cientista e ativista indiana partilhou muitos dos princípios que têm movido o seu ativismo ambiental ao longo de décadas e relembrou que “a humanidade faz parte da natureza, não estamos separados. A separação é uma invenção.”

Vandana Shiva afirmou que estamos a levar a terra “a limites do colapso” e que esta está a dizer-nos que “é preciso regenerar”. A ativista usou a imagem do solo enquanto “recipiente vazio” para explicar ao público que são os humanos que escolhem o que colocam na terra e que, por isso, está nas mãos das pessoas a opção por caminhos mais sustentáveis, caminhos capazes de “dar mais vida à natureza”.

Intitulada “Food and environmental transition: time to listen to nature”, a conferência internacional foi promovida pelo INSURE.hub, uma iniciativa da Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa, através da Escola Superior de Biotecnologia e da Católica Porto Business School, e da Planetiers, em parceria com a Fundação de Serralves.

 

Viver em harmonia, em cooperação com a natureza

“Estamos interligados e destinados a viver em harmonia”: explicou a ativista Vandana Shiva. “A natureza não funciona na base da extração humana. A natureza e a diversidade não se coadunam com a extração constante. É preciso dar alguma coisa à natureza. Quando nos apercebemos que a espécie humana não é superior às outras e que há outros seres, eles tornam-se nossos familiares e a nossa relação com a natureza transforma-se numa relação de cuidar”, partilhou.

Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa, durante a sessão de abertura da conferência, destacou o trabalho realizado pela Universidade Católica, através do INSURE.hub, para a promoção da Inovação, da Sustentabilidade e da Regeneração. Isabel Braga da Cruz realçou ainda a importância da conferência, enquanto oportunidade de diálogo, de partilha e de inspiração, “capaz de promover mudanças positivas rumo à transição alimentar e ambiental”. Também Ana Pinho, presidente do conselho de administração da Fundação de Serralves, frisou o papel e empenho da Fundação na promoção do diálogo para a sustentabilidade e a relação próxima que existe entre a Fundação e a UCP, concretizada em diferentes ações.

 

Mais comida, mais nutrientes

Vandana Shiva é fundadora da organização não governamental Navdany, que tem como principal objetivo a promoção e conservação da agricultura biológica, biodiversidade de sementes e dos direitos dos trabalhadores da Índia.

Relembrou, também, que “a natureza nos dá comida saudável” e que “quanto mais nos relacionarmos com os sistemas vivos da natureza, mais comida verdadeira teremos.” Mas, claro, “isto se soubermos ouvir a natureza e cooperar com ela.”

Num discurso próximo e atento aos problemas do mundo, Vandana Shiva desafiou a plateia com mensagens inspiradoras que provocam a “mudança e a transformação de comportamentos e paradigmas.” No final da sua apresentação, decorreu um painel de discussão que contou com a presença de Manuela Pintado, investigadora e docente da Escola Superior de Biotecnologia, de Helena Freitas, diretora do Parque de Serralves, e de Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto.

A conferência internacional, que decorreu a 30 de outubro, no Auditório da Fundação de Serralves, contou, também, com dois painéis de apresentação e discussão sobre diferentes temas relacionados com a transição alimentar e ambiental.

 

Biodiversidade, Regeneração, Sistemas Alimentares

O primeiro painel da tarde - Biodiversity and Regeneration - contou com a participação de Helena Freitas, diretora do Parque de Serralves, Luís Rochartre, senior advisor da Planetiers New Generation, e de António Vasconcelos, co-líder da Planetiers New Generation.

“A natureza tem um lugar cada vez mais central no nosso pensamento, na nossa vida, na nossa economia. A natureza é muito mais fundamental do que aquilo que achávamos antes da pandemia”, referiu Helena Freitas. Já Luís Rochartre desafiou a plateia, afirmando que “temos de acelerar a regeneração”. António Vasconcelos, durante a sua apresentação, partilhou que o INSURE.hub é “um ambicioso ecossistema aberto à colaboração.”

O segundo painel - Food Systems - contou com a presença de Marta Vasconcelos e Manuela Pintado, investigadoras e docentes da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, de Ondina Afonso, presidente do Clube de Produtores Continente, e de Pedro Rocha, do Noocity Project.

Marta Vasconcelos reforçou a importância de “diversificar as fontes de proteína” e partilhou as potencialidades das leguminosas. Manuela Pintado abordou o tema do desperdício alimentar, mostrando que “não tem de ser um problema, porque pode ser uma oportunidade” e Ondina Afonso apresentou o Clube de Produtores do Continente, que “promove a agricultura, a sustentabilidade, a inovação e a competitividade”. Pedro Rocha apresentou o Noocity, um projeto que parte do cultivo de hortas para a o “cultivo de comunidades e de valores de sustentabilidade”.

Foi uma oportunidade de partilha de conhecimento entre diferentes entidades que estão dedicadas à causa da Sustentabilidade e que, em diferentes dimensões e áreas de ação, levam a cabo a transição que o mundo reclama. 

“É tempo de ouvir a natureza”: este foi o pano de fundo da conferência internacional, através do qual todos os temas foram abordados e refletidos. Vandana Shiva protagonizou este apelo e apontou o caminho para a “verdadeira transição”.

A cientista e ativista indiana esteve, também, no campus do Porto da UCP para um encontro com estudantes e investigadores. O encontro decorreu no dia 31 de outubro e destacou a importância da proximidade e da ligação à natureza. Como na conferência internacional “Food and environmental transition: time to listen to nature”, Vandana Shiva lembra sempre: “Somos parte da natureza!”

 

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