Alberto Castro: "Pretextos"

A julgar pelas declarações de alguns representantes sindicais, dir-se-ia que em certas negociações, o café e o pão são unidades de medida centrais. Um destes dias, por exemplo, alguém reclamava que o aumento proposto se traduzia em quatro carcaças, enquanto outro dizia que nem para um café por dia dava. Podemos imaginar o governo a oferecer um café e meia torrada, enquanto os sindicatos reclamavam um galão e uma sande mista, acabando por o acordo ser estabelecido em termos de uma meia de leite e uma torrada.

Mais ou menos folclórico, entende-se o uso de imagens fortes que toda a gente percebe. Enquanto isso, em vários casos envolvendo a função pública, há uma confusão concetual que só pode traduzir esquemas de remuneração pouco coerentes, porventura com os incentivos errados e não equitativos. Prémios de risco atribuídos a todos, todos os meses, e no mesmo valor, não são prémios. A bem da transparência, deveriam ser incluídos na remuneração de base.

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