“A sociedade de risco: como gerir as inseguranças do futuro?” | “Uma má sorte” que força a ação

“Agora, mais do que nunca, é particularmente importante ter confiança no futuro”, foi desta forma que a reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil deu início à conferência “A sociedade de risco: como gerir as inseguranças do futuro?”, organizada pelo jornal Público e que teve lugar esta segunda-feira na sede da UCP.

Segundo a Reitora “face ao que eram as nossas projeções no início do ano de 2000, da conquista, através do conhecimento, de maleitas como a doença, a pobreza, e a guerra, hoje sabemos que nada disso é realidade.”

Na sessão do PSuperior Talks, discutiram-se as ameaças da sociedade atual, tais como a guerra na europa, a pandemia, ameaças ambientais, crise energética, inflação e juros elevados, mas também as ferramentas e estratégias usadas para gerir as incertezas do futuro.

Incertezas que segundo o sociólogo André Santos Pereira “não começaram com as sociedades modernas”, explicando que “foi durante o pós-modernismo que a consciência da existência do risco nasceu e, juntamente com ela, a preocupação sobre se somos capazes de lidar com ele e de o condicionar na nossa ação quotidiana”.

Mas se o tema já era “vasto e complexo” antes, como referiu Sónia Sapage, editora executiva do Público, a guerra na Ucrânia “aumentou ainda mais o contexto de incerteza” existente num contexto de recuperação pós-pandemia que acontecia “de forma desigual”, adiantou Joana Silva. A docente da Católica Lisbon School of Business & Economics da UCP referiu que “se por um lado houve um estímulo europeu e um desejo de melhorar, por outro lado ainda há uma trajetória pré-crise muito longa e de baixo crescimento, que precisávamos de romper”.

Joana Silva salientou que a situação atual “é ainda mais custosa para os jovens que terminam o seu curso durante a recessão, pois tendem a ter salários de entrada muito menores e continuar numa trajetória salarial muito pior do que aquela que jovens que entram num ano bom para economia”. “Uma má sorte que demora dez anos”, concluiu a docente.

Já o estudante do mestrado em Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Humanas, da UCP, Pedro Isidoro Silva, salientou que as “alterações constantes” impossibilitam a elaboração de projeções para o futuro. “Deixamos de fazer planos”, disse o aluno, acrescentando que “a nível de emprego não há possibilidade de fazer projeções, porque não sabemos se poderá haver uma crise. A nível geopolítico, já vimos que não vale a pena, saímos de uma pandemia, que nunca achávamos que íamos ter, e entramos numa guerra e não sabemos o que vai acontecer”.

O painel de discussão sobre “a sociedade de risco”, contou ainda com a participação da especialista em cibersegurança Jéssica Domingues, que falou sobre os riscos que “antes podiam ser resumidos apenas às questões físicas” e que agora se “ampliam para o mundo cibernético”.

Segundo a especialista “cada vez mais a nossa vida está dependente do digital”, e por isso tornou-se “muito difícil mapear quais são os limites da Internet e aplicar medidas de mitigação e de controlo”.

Uma questão que segundo Pedro Isidoro Silva tem vindo a ser debatida na academia, onde “os alunos são orientados para que desenvolvam projetos de informação de qualidade”.

Categorias: A Católica

Terça, 07/06/2022