“Devemos entender a universidade como estúdio e espaço de experimentação” defende a Reitora da Católica em Fórum Europeu
European Learning & Teaching Forum decorreu na sede da Católica, em Lisboa, reunindo cerca de 300 especialistas de 42 países. Evento privilegiou reflexão sobre o futuro do ensino superior.
O futuro do ensino superior e os impactos da inteligência artificial, das alterações demográficas e das novas tendências no mercado laboral estiveram em destaque na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, ao acolher o 2026 European Learning & Teaching Forum da European Association University (EUA).
O evento reuniu cerca 300 especialistas, entre membros de equipas reitorais, líderes académicos, professores, investigadores, educadores e decisores políticos, oriundos de mais de 140 universidades e outras instituições educativas, de 42 países.
Pretendendo ser uma plataforma de reflexão e partilha de boas práticas, o 2026 European Learning & Teaching Forum incluiu sessões plenárias, painéis de discussão, estudos de caso, workshops e apresentações práticas e interativas.
A sessão de abertura contou com a participação da Reitora da Universidade Católica Portuguesa, que defendeu a ideia de “entender a universidade como estúdio e espaço de experimentação”, onde “a aprendizagem acontece através do envolvimento, do diálogo, da crítica e da colaboração”.
“Imaginar a universidade como um estúdio é reconhecer que a aprendizagem e o ensino devem ser dinâmicos e experimentais. Significa capacitar os estudantes como co-criadores do conhecimento. Significa incentivar abordagens interdisciplinares perante desafios societais complexos”, sublinhou Isabel Capeloa Gil.
Nessa lógica, destacou a importância de assumir o risco, de valorizar a inovação, de promover estruturas de governação flexíveis e de qualidade, de ter colaboradores capazes de se adaptar aos novos ambientes académicos e organizacionais e de compreender que “a excelência na investigação e a excelência na educação não são prioridades concorrentes, mas compromissos que se reforçam mutuamente”.
“As nossas universidades devem assentar na liberdade académica, ancorar-se na autonomia institucional, estar comprometidas com a integridade e a qualidade e, ainda assim, ser suficientemente ágeis para responder a transformações profundas”, resumiu a Reitora.
A mesma mensagem quis passar a Vice-Presidente da EUA e Ex-Reitora da Universidade de Belgrado, Ivanka Popović, recordando o objetivo da EUA de “desencadear um efeito multiplicador, promovendo uma motivação contínua que permita aperfeiçoar a ação pedagógica em benefício dos estudantes”.
“Transformar o ensino superior não significa abandonar os seus valores fundamentais. Significa reforçá-los e adaptá-los a um mundo em mudança. Num tempo em que a tecnologia pode gerar respostas instantâneas, o ensino superior deve continuar a formar indivíduos capazes de pensamento crítico, de ações responsáveis e de contribuir para a sociedade. Isto exige instituições abertas à inovação, mas firmemente comprometidas com a qualidade e a equidade. Exige políticas públicas coerentes e comunidades académicas motivadas, reconhecidas e solidárias”, apontou, por sua vez a Secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico.
“Investir em quem ensina e apoia os estudantes é investir no futuro das nossas sociedades”, frisou a Governante, que também esteve no arranque do encontro.
Ao longo dos dois dias do 2026 European Learning & Teaching Forum foram abordados temas como o papel da tecnologia na literacia dos estudantes e nas instituições académicas, a inovação pedagógica sustentável, o desenvolvimento profissional do staff académico e as carreiras académicas e a cooperação universitária a nível europeu, entre outros.