João Duque: "Antropocentrismo: Demasiado Humanos?"

O título evoca uma conhecida obra de Nietzsche, sem dúvida um dos pensadores ocidentais mais críticos em relação à centralidade que os humanos se atribuíram a si mesmos, no conjunto da realidade. Genericamente, o que está em jogo é o denominado antropocentrismo, típico de uma certa forma de humanismo. E, assim como Nietzsche levantava fortes suspeitas em relação à validade desse humanismo, também hoje a mesma tradição humanista é colocada em causa por muitos pensadores e ativistas, marcando cada vez mais o espaço público contemporâneo. Fará isso sentido, na perspetiva da fé cristã? Uma resposta a esta importante questão implica algumas distinções.

Antes de tudo, é necessário compreender suficientemente o perfil do humanismo que agora é colocado em causa. De uma forma muito genérica, podemos fazê-lo corresponder a um perfil do humano que foi construído segundo um certo paradigma denominado moderno. O humano considerado como centro do mundo seria, antes de tudo, o humano que se opõe, como único sujeito da realidade, a toda a realidade não humana, considerada como mero objeto inerte, disponível para a intervenção do sujeito.

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