#7 Preparando o futuro, hoje!

Preparando o futuro, hoje!

Todas as mudanças, especialmente as rápidas, são muitas vezes acompanhadas de sentimentos menos positivos. Mesmo na adversidade, podemos transformar o negativo em positivo, e retirar aprendizagens para enfrentarmos o futuro, mais resilientes do que antes. Para que isso aconteça, deixo algumas recomendações globais, que poderão ajudar a lidar com a atual e futuras situações mas que não substituem a intervenção individualizada que possa ser necessária (ver nota final):

Transforme o negativo em positivo, no presente…

“Há que não ter medo do medo”. É normal sentir medo numa situação de epidemia; quando não é demasiado elevado, o medo tem a função de nos manter alerta, vigilantes e motivar-nos para nos proteger-nos.

“A preocupação é sinal de que gostamos”. Se se sente preocupado com alguém, isso mostra que gosta dessa pessoa. Pode transmitir a essas pessoas que se preocupa com elas e que gosta delas. Será importante para elas ouvirem isso e, para si, dizer isso.

“A angústia de não poder cuidar pode ser reduzida pela confiança no cuidar”. Em caso de não poder cuidar de alguém como fazia antes, é importante que esse cuidado fique nas mãos de alguém em quem confie, seja alguém seu conhecido, profissionais de saúde e/ou membros da comunidade em que a pessoa vive. Confie que serão estas as melhores pessoas para cuidar, na sua ausência.

“A incerteza, pode ser controlada”.  Algumas pessoas podem sentir incerteza sobre o presente e o futuro. Por exemplo: incerteza sobre o que se está a passar no “mundo lá fora”, com a sua família ou amigos? Incerteza sobre o que fazer para se proteger de forma mais eficaz? Incerteza sobre como se possa estar a sentir física ou psicologicamente? Pode voltar a ganhar o controlo e reduzir a incerteza, se procurar por exemplo o suporte/ajuda de outros (e.g. procurar informação em fontes oficiais de informação como as páginas da internet ou redes sociais da Direção Geral de Saúde e outras; esclarecer dúvidas junto dessas entidades e de pessoas de confiança, como por exemplo profissionais de saúde, através dos meios disponíveis a nível nacional e no local onde vive).

“A sensação de isolamento pode dar lugar à reflexão”. O sentimento de estarmos afastados do mundo e/ou dos nossos amigos e família, pode também transformar-se numa oportunidade para refletir sobre os nossos sentimentos e sobre quem gostamos. Pode ajudar-nos a valorizar aquilo que por vezes dávamos por garantido, valorizando ainda mais, aquilo que já valorizávamos.

“Frustração e aborrecimento, zanga, tristeza, falta de esperança… são emoções que não duram para sempre”. Poderão surgir enquanto durar o isolamento mas também podem desaparecer, se agirmos sobre elas. Pedir ajuda/suporte, procurar ver os aspetos positivos da situação em que se encontra, permitir que surjam estas emoções, que serão normais sentir, mas sem deixar que o seu dia a dia seja dominado por elas. 

“Estar informado, com conta, peso e medida”. A cobertura mediática pode atenuar ou amplificar o risco e a compreensão da informação pode variar de canal para canal de comunicação. Apesar de acompanhar as notícias de forma frequente poder dar uma sensação de controlo sobre a situação, opte por fazer pausas frequentes no “consumo de informação”, que restaurem o sem bem estar psicológico (por exemplo, tarefas para se distrair, como jogos ou atividades criativas) e reduzam a sua ansiedade e preocupação para níveis moderados.

 

… e prepare um futuro resiliente!

 

“Equilibre o otimismo e esperança que deve ter, com a proteção e segurança que se deve manter”. Todos os dias mais pessoas recuperam e mais indicadores surgem de melhoria da situação. No entanto, “a situação melhorou mas o perigo ficou” e os seus comportamentos de proteção e de suporte a quem mais precisa devem manter-se, para reduzir risco de novas vagas de COVID-19 ou epidemias futuras. É importante aceitar que não haverá um regresso à normalidade, mas sim o viver com uma nova realidade. Os comportamentos de proteção adquiridos (e.g., etiqueta respiratória, higiene das mãos, e outros cuidados) são agora o “novo normal” a manter e transferir para o futuro, com vista a uma melhor preparação, prevenção e controlo face a futuras epidemias.

“O esforço dos cidadãos no presente, evita maior esforço no futuro”. O grande esforço no presente permitirá reduzir o esforço no futuro e o impacto que novas vagas de COVID-19 e epidemias futuras possam ter para todos. Importa perceber que os comportamentos no presente, protegem-nos no futuro.

“Proteja-se não só de pandemias mas também de infodemias”. Sabe-se que as epidemias são acompanhadas de infodemias, em que a informação disseminada nas redes sociais e media sociais, pode ser falsa e ter o objetivo de aumentar a desinformação. Por estas razões, procure estar atualizado sobre o que se passa junto das fontes oficiais de informação como a Direção Geral da Saúde, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e outras. 

Rui Gaspar 

Coordenador da Licenciatura em Psicologia e da Pós-graduação em Comunicação em Saúde Pública, Faculdade de Ciências Humanas – Universidade Católica Portuguesa.

Nota: As recomendações apresentadas acima são para a população em geral e não substituem o acompanhamento personalizada que possa ser necessário. Em caso de necessidade, contate o serviço de aconselhamento psicológico da linha telefónica do SNS 24, através do 808 24 24 24.

Categories: Faculdade de Ciências Humanas

Seg, 27/04/2020