#11 Transição para o ensino superior: Como podem as famílias apoiar a tomada de decisão?

Muito em breve um conjunto de jovens no nosso país será chamado a tomar uma decisão importante em relação ao seu futuro académico/profissional: prosseguir ou não estudos de nível superior e, em caso afirmativo, qual o curso e a instituição de ensino. Esta decisão é, na maioria dos casos, vivida com bastante expectativa e ansiedade por parte dos jovens, mas também pelas suas famílias. A questão que se impõe é, não sendo os pais/famílias especialistas em orientação vocacional, como podem ajudar os seus filhos nesta, tão importante, fase de transição?

Deixamos aqui algumas sugestões que podem ser úteis:

  • Procurem informar-se sobre o acesso ao ensino superior. Desde o dia 18 de maio, os alunos do 11.º e 12.º anos de escolaridade estão de volta às suas escolas para terem aulas presenciais, mas apenas nas disciplinas em que está prevista a realização de exames nacionais. Em vez da obrigatoriedade de realização de quatro exames nacionais (dois no 11.º ano e dois no 12.º ano), os alunos têm a possibilidade de realizar apenas os exames necessários para o ingresso no curso/instituição de ensino superior a que se desejam candidatar. Devem, por isso, identificar os cursos/instituições de ensino superior a que pretendem concorrer e efetuar um levantamento das provas de ingresso solicitadas. Os novos prazos para a realização de exames nacionais são os seguintes: (i) 1ª fase: entre os dias 6 e 23 de julho; (ii) 2ª fase: entre os dias 1 e 7 de setembro. As datas de candidatura ao ensino superior devem ser consultadas junto das universidades.
  • Conversem em casa sobre a transição para o ensino superior. Muitos pais/famílias são resistentes à abordagem deste assunto, por receio de influenciarem ou condicionarem as escolhas dos jovens. Mas, os jovens gostam (e necessitam) de conhecer os sonhos e expectativas que os pais/família têm para si e para o seu futuro. Por outro lado, é importante que conversem sobre aspetos práticos, tais como, quais são os cursos e instituição de ensino que estão a ser ponderados, e se esses cursos implicam uma saída dos jovens das suas casas. Em caso afirmativo, é essencial explorar as expectativas e receios dos jovens acerca da sua nova vida – por exemplo, viver sozinho vs partilhar casa; como gerir as tarefas domésticas; como gerir uma mesada de forma a integrar despesas domésticas, despesas com a universidade, despesas com as atividades sociais; como organizar o estudo/ carga de trabalho; como lidar com as saudades de casa;
  • Realizem, sempre que possível, atividades que permitam aos jovens explorar-se, isto é, ficar a saber quem são, que interesses e competências possuem, e o que valorizam. Alguns exemplos de atividades incluem: permitir que participem num grupo de escuteiros, que se envolvam num desporto em grupo, que frequentem um clube de teatro. Só se experimentando em diferentes atividades e contextos é que os jovens poderão desenvolver uma imagem mais consolidada sobre si próprios. Nesta fase de desconfinamento progressivo, em que muitas destas atividades estão limitadas, analisem as atividades nas quais, no passado, os jovens demonstraram interesse, curiosidade, ou até mesmo se envolveram;
  • Realizem atividades que permitam aos jovens explorar o mundo académico, formativo e profissional. Porque não levar os seus filhos um dia destes para o trabalho? Ou pedir aquele seu amigo jornalista ou arquiteto para que os seus filhos o possam entrevistar? Ou possibilitar que se envolvam num pequeno trabalho em part-time, para que possam assumir algumas responsabilidades e serem recompensados por elas? Ou, ainda, inscrevê-los para participar nos vários Open Days que as universidades estão a organizar? A título de exemplo, a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa irá realizar o Open Day (online) das suas licenciaturas no dia 27 de maio. Todas estas sugestões devem ter em consideração o que é possível fazer nesta fase de desconfinamento, mas irão permitir que os jovens desenvolvam um conhecimento mais realista sobre os diferentes cursos, as diferentes profissões e o mundo do trabalho e, também, um maior respeito pelo valor do trabalho dos diferentes profissionais;
  • Conversem sobre vocês próprios (pais/família), as vossas escolhas de vida, os vossos sonhos e objetivos passados e atuais. Conversem com os vossos filhos sobre vós - quais as características que consideram que possuem e em que os vossos filhos são parecidos convosco; abordem as vossas competências; analisem como tomaram as vossas decisões sobre cursos e profissões, e a facilidade/dificuldade que sentiram; explorem as vezes em que consideram que decidiram bem e, as vezes em que se arrependeram, e como lidaram com isso; conversem ainda sobre os vossos sonhos e como os tornaram realidade, ou mudaram os vossos planos rumo a novos sonhos. Tudo isto pode ajudá-los a ganhar uma nova perspetiva sobre a tomada de decisão que agora enfrentam;
  • Reforcem a importância da escola e dos bons resultados académicos, e a relação entre o desenvolvimento académico e o desenvolvimento vocacional. É muito importante que os jovens compreendam que o investimento que eles fazem na escola (e na obtenção de bons resultados académicos) é um investimento que fazem em si mesmos e no futuro;
  • Em caso de sentirem que os vossos jovens estão com dificuldade na tomada de decisão, se vos for possível, facilitem o contacto com um profissional de Psicologia, especialista em Orientação Vocacional e Desenvolvimento de Carreira. Alguns psicólogos estão já a realizar consultas presenciais, e outros mantêm a prestação dos seus serviços online. Assegurem-se de que o profissional a quem recorrem está devidamente habilitado (e reconhecido pela Ordem dos Psicólogos Portugueses) para o exercício da profissão e deste serviço em particular.

Para terminar, apresentamos ainda alguns websites com informação pertinente para esta fase:

  • Acesso ao Ensino Superior: contém informações sobre cursos, instituições de ensino superior, provas de ingresso, ponderação das provas de ingresso no acesso ao ensino superior, dados estatísticos de anos anteriores, incluindo as médias dos últimos candidatos aceites nas diversas fases de candidatura dos últimos anos. A informação que consta neste website deve, ainda assim, ser confirmada nos portais das próprias universidades.
  • Decreto-Lei n.º 14-G/2020: estabelece as medidas excecionais e temporárias na área da educação, no âmbito da pandemia da doença COVID-19. O ANEXO III do decreto inclui informação sobre as datas previstas de realização dos exames nacionais na 1ª e na 2ª fases.
  • Acesso ao ensino superior 2020: Determinação da nota de candidatura pelo regime geral de acesso: explica as alterações na fórmula de cálculo da nota de candidatura ao ensino superior.
  • Escola – universidade – mercado de trabalho: eu transito, tu transitas, ele transita… (Parte I): apresenta algumas reflexões importantes sobre o processo de transição para o ensino superior, que podem servir de ponto de partida para as conversas entre pais e filhos sobre esta temática.

Desejamos boa sorte a todos os futuros candidatos ao ensino superior e suas famílias!

Joana Carneiro Pinto, Doutorada em Psicologia Vocacional, Coordenadora do Gabinete de Carreiras, Coordenadora do Master Psychology in Business and Economics, Professora Auxiliar, Faculdade de Ciências Humanas

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Sexta, 22/05/2020