Sábado II

Sábado II

Pai Nosso, Deus Salvador,
se não Te conheço
como Te hei-de reconhecer?
Como os antigos não Te reconheceram
na voz profética de Elias.
Ele era como fogo numa sociedade de cinzas.
A palavra era ardente na corrupção macia.
Era sinal da justiça de Deus
e da reconciliação do povo.

Como os contemporâneos do Teu Jesus
não Te reconheceram na austeridade
de João Baptista,
na sua palavra de verdade cristalina.

Com os nossos esquemas e categorias mentais,
com nossos cálculos e previsões,
é difícil entrar no Teu rosto,
reconhecer a Tua voz.
O Teu rosto tem tantas faces.
És misterioso no pobre e no doente.
Não me dá prazer
ver-Te no drogado, no preso, no maltratado.
Estará o Teu rosto também
na gente lá de casa,
em quem todos os dias embato?

Vem, ó Pai de bondade, ao nosso encontro
para que a luz do presépio
ilumine a criação inteira
e eu possa ver melhor o Teu rosto.